De nada adiantaram os pedidos de votos feitos pelo presidente da República, a participação de ministros na campanha de Flávio Dino, o apoio do prefeito Tadeu Palácio (cerca velha, cai e derruba os outros) e os insistentes apelos da senadora Roseana para o candidato comunista. O candidato tucano João Castelo derrotou Lula e o senador José Sarney. O povo da ilha rebelde disse não a uma tentativa de impor um candidato desconhecido e arrogante como prefeito de São Luís.
Rotulado como o candidato de Lula, o comunista Flávio Dino recebeu apoio de ministros do Governo Federal que por aqui fizeram até comício, como Orlando Silva, dos Esportes, Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social, e Dilma Roussef, da Casa Civil, além do presidente da Caixa Econômica e de outras figuras de expressão nacional ligadas ao governo do PT. A intenção era apenas uma: derrotar João Castelo para impedir o crescimento dos tucanos no Maranhão e fortaceler o grupo Sarney.
O próprio presidente da República, Lula, gravou duas mensagens pedindo votos para Flávio Dino. A primeira gravação, no primeiro turno, foi um pedido do senador José Sarney, como mostraram o jornal O Estado de São Paulo, Alexandre Garcia, da TV Globo, uma reportagem do jornal da noite da Band. Na segunda gravação, mais demorada, Lula apelou ao povo da capital o voto para seu candidato. Na esteira do apoio de Lula, Flávio Dino e seus partidários espalharam que João Castelo iria acabar com o Bolsa Família. Uma aberração, o desespero exposto.
Foi o próprio senador José Sarney que, a um jornalista da Folha de São Paulo, disse que havia pedido ao presidente Lula a gravação de apoio ao comunista Flávio Dino. Enquanto em Brasília o presidente Lula e o senador José Sarney trabalhava apoios para Dino, aqui em São Luis a senadora Roseana Sarney operava a adesão de seus companheiros de partido e de grupo, a exemplo de Gastão Vieira, Costa Ferreira e João Alberto. A senadora, antes porém, teve encontro com Flávio Dino, em sua residência, segundo confidenciou o deputado Raimundo Cutrim.
Lutando contra as poderosas forças da presidência da República, da família Sarney, da Prefeitura de São Luís e da Câmara Municipal, João Castelo foi buscar no povo da capital sua tábua de salvação. Teve momento em que se percebia claramente que a disputa era desigual. Só o apoio de Lula, por sí só, desequilibra qualquer pleito, considerando sua alta avaliação pelo povo brasileiro.
Ao entrar na campanha de Dino, o prefeito Tadeu Palácio reuniu todos os secretários e dirigentes de órgãos municipais para exgir que todos entrassem de corpo e alma, suando a camisa, atuando como cabo eleitoral para derrotar Castelo. A única que não compareceu ao encontro foi a presidente do Ipam, Lúcia Telles. O apoio de Tadeu Palácio, ao contrário de ajudar, puxou o comunista pra baixo. Alias, tanto Tadeu quanto os Sarney fizeram o papel da cerca velha, que cai e derruba os outros.